O Estado Islâmico e os cristão do Iraque

Casa é marcada com o "N" árabe, símbolo dos Nazarenos.

A invasão dos jihadistas do EI (Estado Islâmico) em Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque, no dia 7 de agosto deste ano, provocou um êxodo de 100 mil cristãos. Segundo a reportagem do UOL, a comunidade cristã na região vem diminuindo desde 2003 e está estimada em 400 mil pessoas.

Em junho, a investida do EI em Mosul, obrigou centenas de famílias cristãs deixarem suas casas com nada além das roupas que usavam.

Muitas dessa famílias de Qaroqosh e Mosul foram para cidades curdas ou do Líbano, onde se refugiaram em igrejas.

Para a ONU, o que ocorre no Iraque é uma limpeza étnica e religiosa.

O ESTADO ISLÂMICO

O EI é formado pela corrente majoritária do Islamismo, os sunitas.O grupo fazia parte da rede terrorista Al-Qaeda, com quem rompeu após discordâncias ideológicas.

Apesar de a corrente sunita ser a maioria entre os muçulmanos, o Iraque possui uma população de maioria xiita, a outra corrente do Islamismo.

A rivalidade entre os grupos se dá principalmente na questão da sucessão de Maomé (principal profeta do Islã). Enquanto o sunitas acreditam que os lideres religiosos devem ser escolhidos pela população islâmica, os xiitas creem que somente descendentes do profeta Maomé são os legítimos líderes islamitas.

Os sunitas do EI possuem uma postura rígida, ao contrário das origens históricas, onde são considerados flexíveis na interpretação do Alcorão (livro sagrado do islã).

Para o EI, os xiitas são considerados infiéis e por isso merecem a morte. A mesma tratativa é dada para os cristãos. As opções são de se converter ao islamismo, pagar uma taxa inviável para sobreviver ou a pena de morte. Por isso muitos são obrigados a fugir sem levar nada.

O objetivo do EI é implantar o novo Califado (sucessão, em árabe), um sistema de governo islã onde é escolhido o sucessor de Maomé para a aplicação da lei islâmica nas regiões do Iraque e da Síria. Em junho, Abu Bakr al-Bagdadi foi escolhido pelo EI como o novo califa.

OS NAZARENOS PERSEGUIDOS

No Iraque apenas 3% da população é cristã. É considerado, pelos Portas Abertas, o quarto país onde há mais perseguição.

Como forma de identificação, o EI passou a utilizar o a letra “N” em árabe, designando os “nazarenos”. O desenho é feito nas casas para facilitar a ação dos jihadistas. Assim eles identificam visualmente quem é leal ao EI e que não é.

Casa é marcada com o "N" árabe, símbolo dos Nazarenos.
Casa é marcada com o “N” árabe, símbolo dos Nazarenos [cristãos].

Foi assim em Mosul, onde, segundo a Middle East Concern, carros com alto-falantes alertavam que todos os cristão deveriam deixar suas casas até o meio-dia da sexta (01 de agosto), ou seriam mortos à espada. A agência AFP chegou a noticiar “Pela primeira vez na história do Iraque, Mosul está agora vazia de cristãos”.

Qaraqosh, citada no início, junto com Tel Kepe e Karamlesh ficam na planície de Nínive (aquela citada na história de Jonas). Juntas, elas representam uma grande parte das poucas regiões onde ainda se falam o aramaico (língua usada por Jesus). O domínio do EI na região contribui para uma extinção desse idioma histórico.

Segundo a AINA (Agência Internacional de Notícias Assíria), uma menina assíria de 3 anos, Christina Khader Ebada, foi raptada enquanto sua família fugia de Qaraqosh.

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#viagemaoIraque

O Portas Abertas iniciou hoje a publicação de uma série de textos de uma colaboradora contando a experiência de ir ao Iraque.

No trecho a abaixo, você lê o que ela diz sobre a importância de estar ali.

“Então, percebo que Deus é muito maior do que isso. Estamos aqui com um propósito. E um bom propósito. Podemos ajudar as igrejas e parceiros com os meios corretos para que eles possam ajudar milhares de desalojados com assistência humanitária como alimento, produtos de higiene, colchões e muito mais. Também temos a oportunidade de deixar os refugiados saberem que pessoas do mundo inteiro estão orando por eles. Que eles não estão sozinhos nessa batalha, mas que, em nossas orações, estamos bem próximos deles. Eu creio que o medo disseminado pelo Estado Islâmico (EI) é oposto e não se compara ao poder do Senhor”.

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