Os cristãos e a Guerra Civil da Síria

Em guerra civil desde 2011, a Síria tem ao menos 191 mil mortos até abril desse ano, segundo relatório da ONU divulgado em 22 de agosto. Entre essas vítimas estão milhares de cristãos, que constituem 10% da população.

Veja o recente vídeo da ONU Brasil:

ENTENDA O CONFLITO

A Síria é uma república sob o regime militar de Bashar al Assad. Possui uma população de 22,5 milhões que em 90% professam a fé islamista.

Em 2011, no período conhecido como Primavera Árabe, eclodiram revoltas populares a favor da queda de Bashar al Assad, acusado de corrupção e nepotismo, e por mais democracia. O governo respondeu severamente através de torturas e mortes. O cenário favoreceu a atuação de grupos radicais islamistas, eclodindo em uma guerra civil.

O fato de os grupos rebeldes não possuírem uma liderança única, contribue para gerar conflitos entre eles. Além disso há um briga da minoria xiita [a qual Bashar al Assad faz parte] e a maioria sunita [rebeldes], divisão ideológicas do Islamismo.

Entre os grupos radicais está o EI (Estado Islamico). O mesmo que também atua no Iraque, com o objetivo de instaurar o novo Califado (forma de governo islâmico) em territórios da Síria e Iraque.

Cerca de 6,5 milhões foram obrigados a se deslocarem internamente, mais de 3 milhões estão refugiados em países vizinhos e 9,3 milhões de dependem de ajuda humanitária.

Foto: UNRWA
Após trégua em região do subúrbio de Damasco, pessoas buscam a ajuda humanitária de UNRWA. Foto: UNRWA

OS CRISTÃOS MORTOS

Antes da guerra civil o país era considerado um lugar de paz para os cerca de 1,2 milhões de cristãos. Após o início dos conflitos e da ação dos grupos radicias, tornaram-se alvos. Hoje o país é classificado como o terceiro país em que os
cristão mais sofrem, segundo avaliação do Portas Abertas.

A fala de um colaborador do Portas Abertas na Síria, em novembro de 2012, deixa claro isso. “De um tempo para cá, certos elementos passaram a atingir os cristãos na Síria. Eu vejo isso como um ponto de mudança no conflito sírio. Porque, até agora, crentes sofreram acidentalmente com a violência, eles não eram o alvo  propriamente dito. Mas, de repente, parece que os cristãos tornaram-se um objetivo específico dos ataques”.

As cidades e vilas que possuem maioria cristã, ao passo que são tomadas pelos os rebeldes, torna-se obrigatório o pagamento de um imposto pela proteção e a liberdade de culto passa a ser controlada. Em casos mais críticos, são forçados à conversão ao Islamismo ou até a morte.

Essa semana, mais de 1,5 mil rebeldes se preparam para realizar ofensiva contra vila cristã na província central de Hama, como informa o Observatório Sírio de Direitos Humanos e a agência EFE. O objetivo do grupo é dominar a cidade de
Mehrada, alvo principal da investida.

Maaloula, próximo a Damasco, é uma das mais antigas cidades cristã. Após o domínio de rebeldes em setembro de 2013, a cidade ficou deserta. Seus quase 3 mil habitantes tiveram suas casa e igrejas saqueadas e destruídas. Em abril desse ano o exército sírio retomou a cidade.

 A Síria se tornou a terceira cidade em que há mais perseguição a cristão, segundo classificação do Portas Abertas.

A Síria se tornou a terceira cidade em que há mais perseguição a cristão, segundo classificação do Portas Abertas.

 Em março, o site WND Faith publicou uma reportagem sobre Walid Shoebat, um ex extremista convertido. Shoebat publicou vários videos de decapitação de cristãos que se negaram ao Islamismo. No vídeo aparecem os corpos decapitados e as cabeças enfileiradas na parede.

Ainda em março, após o domínio da cidade de Kessab, fronteira com a Turquia, por combatentes da Al-Nusra, cerca de 650 família cristãs se viram forçados a deixar as suas casas e fugir para as montanhas e cidades costeiras.

Há duas semanas, um vídeo publicado no Youtube pelos extremistas, mostrava um jovem cristão sendo decapitado após ser forçado a se converter ao Islã. No vídeo, o rapaz está de joelhos e é afrontado pelos grupo armado a reconhecer Alá como deus.

AS NEGOCIAÇÕES

A conferência pela paz da Síria foi realizada na Suíça, em 22 janeiro desse ano. A Genebra II, nome dado a conferencia, terminou sem resultados.Não há data para a retomada das negociações em prol do fim do conflito.

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